Era cedo.
Ao longe quase se podia avistar a luz. Pequenina. Adormecida.
Quase... verdade.
Era cedo.
O cheiro a morte abafava a esperança e o pó cobria-nos o corpo.
Estávamos prontos.
Éramos pedaços de gente lama, afogados em recordações vazias.
Era cedo.
E todos morremos tarde demais.
segunda-feira, 31 de agosto de 2015
recomeçar...
Passaram dias. Depois meses. Já são anos.
Ficaram os silêncios. Perderam-se na garganta todas as palavras que ficaram por dizer. Vem a tangerina quase redondo perfeito e todo o sumo se esvai como se morressem todos os gomos.
Depois... volta o medo.. dói o gesto e tudo o que resta... é senão gritar.
Voltem a mim. Todos os gritos.
Ficaram os silêncios. Perderam-se na garganta todas as palavras que ficaram por dizer. Vem a tangerina quase redondo perfeito e todo o sumo se esvai como se morressem todos os gomos.
Depois... volta o medo.. dói o gesto e tudo o que resta... é senão gritar.
Voltem a mim. Todos os gritos.
quinta-feira, 18 de junho de 2009
ela queria ser pequenina
Ela só queria caber dentro de duas mãos em concha e ser pequenina pequenina, do tamanho de uma chávena de café mal cheia. achava que talvez assim também as suas aflições diminuíssem
É porque nunca ninguém lhe disse que somos bem mais pequenos do que aquilo que sentimos
É porque nunca ninguém lhe disse que somos bem mais pequenos do que aquilo que sentimos
Factos
as pessoas são más.
as pessoas são o que não são.
as pessoas mentem.
as pessoas são falsas.
as pessoas descem degraus.
as pessoas afogam.se no mar de pessoas.
as pessoas são caixas de pandora.
as pessoas são caixas de pandora que se abrem.
as pessoas trazem o caos.
as pessoas preocupam.me.
as pessoas deixam.me cansada.
as pessoas são bonecos de trapos sem olhos.
as pessoas são bonecos de trapos com trapos na cabeça.
sexta-feira, 22 de maio de 2009
Metamorfose
nao durmo.
tic-tac, tic.tac, tic-tac... oscila o pendulo entre o lá e o cá e pesam os segundos na balança descaida para o não ser. Voltam a mim todas as palavras e atropelam.se na garganta outras tantas por dizer. Correm freneticos os dedos pelas teclas já gastas do piano. Entra o jazz improvisado pelos ouvidos e contenho.me no ataque epileptico que me atira para um mar de espuma. Hoje... o meu! Corpo fora da mente, mente fora do corpo, razao fora do impulso, impulso demasiado perto da morte. Morte a soltar gargalhadas, morte a ceifar a vida, morte dobrada, agarrada à barriga... risos.. risos..risos... Ofegante... ofegante corrida de olhos cosidos, postos no céu... cego,cego,cego. Escuro nos olhos, escuro dentro do corpo, escuro das maos que se fundem na caneta e pingam sangue. Papel sujo, papel gasto, papel velho. Rasga, corrompe, retira a forma. Molda, cria, nasce novamente. Sorri de olhos vendados. Retira a venda, o mundo é novo.
já não és tu.
tic-tac, tic.tac, tic-tac... oscila o pendulo entre o lá e o cá e pesam os segundos na balança descaida para o não ser. Voltam a mim todas as palavras e atropelam.se na garganta outras tantas por dizer. Correm freneticos os dedos pelas teclas já gastas do piano. Entra o jazz improvisado pelos ouvidos e contenho.me no ataque epileptico que me atira para um mar de espuma. Hoje... o meu! Corpo fora da mente, mente fora do corpo, razao fora do impulso, impulso demasiado perto da morte. Morte a soltar gargalhadas, morte a ceifar a vida, morte dobrada, agarrada à barriga... risos.. risos..risos... Ofegante... ofegante corrida de olhos cosidos, postos no céu... cego,cego,cego. Escuro nos olhos, escuro dentro do corpo, escuro das maos que se fundem na caneta e pingam sangue. Papel sujo, papel gasto, papel velho. Rasga, corrompe, retira a forma. Molda, cria, nasce novamente. Sorri de olhos vendados. Retira a venda, o mundo é novo.
já não és tu.
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