domingo, 13 de janeiro de 2008

Napalm? É criança...

Os passos...
Quietos soldados de um futuro feito
Em nós... Entrelaçam mãos em recortes de jornais
que quase desfizeram palavras...
As que não dizemos com medo de cair.

A preto e branco...
Dois, um, quase nada e quase o mundo
Cinzento... Quase frio... vidro cortante que rasga, fere
e dói os cantos nossos...
Os pequeninos que guardamos redondos nos sorrisos calados.

Napalm...
Brisa suave de um canto que morre
e já... Nada nem ninguém, passa, cala, geme, grita...
Já não há espaço... já não se ouve o chão...

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

molly dança

molly dança. Em compasso desajeitado e quase cego. Pé ante pé, descansa o tempo e desliza de novo. Cai a canção. molly para! Estática... sorri mesmo sem ver e desmaia. molly dança, quase perfeita, quase flutuando ao som dos sonhos que rasgou do fio do novelo de manhã. molly desenha.se entre o vento que voltou só para soprar a luz de dentro do peso que sobrou do gesto.
molly dança, so para se ver... so para contar as estrelas que pairam nos seus olhos pequeninos de criança. molly esquece... esquece e voa... abre a janela e pinta os castelos de cor de passos quentes e delicados que se ouvem quando as manhas são claras e sem nevoeiro
molly dança... dança hoje... dança sempre como se fosse de dentro para fora, como se ganhasse ao perder, como se sentisse o aroma da canela no ar e os pássaros nas mãos.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Queria

Queria que hoje não estivesse nevoeiro. Queria ver os velhos nos cafés, os putos nas esquinas e as donas de casa às janelas à espera de passar a proxima vitima.
Queria que estivesse tudo normal... mas não está. Mata.me por dentro esse silêncio, desfaz.me em pedaçinhos pequeninos de raiva que o não é... talvez um dia voltemos a rir de tudo isto talvez acordes primeiro e me procures... talvez... mas enquanto isso...

Só queria que o azul me entrasse pelos olhos... para ver apenas céu...

domingo, 25 de novembro de 2007

Simples eco

Quatro mãos, folhas amontoadas e contas que eu nem sequer sei fazer. Pingam os dias, as folhas esvoaçam como se quissessem agarrar o outono e transformar a cidade em pequenos gritos alaranjados de chuva e tempestade.
Quase chove, mas sei que não vai. Há luzes por todo lado. Piscam, brilham... caem de aviões e todos parecem atarefados. Muita corrida para pouco sentir mas enfim...é sempre a mesma música, cansada, repetida, como aqueles anúncios da televisão que insisto em não ver. Uns tossem, outros espirram, mas é óbvio que as convulsões e as febres altas atacam os que não se protegem. Não porque não queiram, mas porque não percebem que são inuteis os OH OH OH´s, se quando se grita, só os ecos respondem.

terça-feira, 20 de novembro de 2007

O Jogo

Quando foi que deixamos de respirar??
Quando foi que os tiros no escuro passaram a incertezas, que os factos passaram a dúvidas e ficou tudo enevoado.
E porque?
Porque não ha coragem ou entao nunca houve sentir, não houve lutar, houve medo de rir, e agora são tudo ecos, só cheiros, espaços, mortes, medos....

Já não quero labradores, desisti das lareiras e dos tanques nos montes... cansei.me das esperas, do ignorar, da troca de silencios, das margens... porque são sempre margens e estas são demasiado diferentes... porque custa partir... mas será que não custa ver? Não doi magoar? Não doi desfazer as mãos, mudar de passeio, pisar os sons que riam? Calar??? Não doi?

Ou então não desisti.... porque isto tudo parece.me surreal. Planos falhados, sonhos desfeitos em pedaços de papel e amontoados de livros que mais do que isso não são. Era tudo tão maior... era tudo tão leve... tudo tão branco... mas o medo faz.nos sós...e agora... o tempo já passou.

Está frio demais....


O JOGO

"Mais um dia em vão no jogo em que ninguém ganhou

Dá mais cartas, baixa a luz e vem esquecer o amor
És tu quem quer, sou eu quem não quer ver que tudo é tão maior aqui
Está frio demais para apostar em mim

Vê que a noite pode ser tão pouco como nós
Neste quarto o tempo é medo e o medo faz-nos sós
És tu quem quer mas eu só sei ver que o tempo já passou e eu fugi
Que aqui está frio demais para me sentir...
Mas queres ficar...


Tudo o que é meu é tudo o que eu não sei largar
Queres levar tudo o que é meu e tudo o que eu não sei largar...
Vem rasgar o escuro desta chuva que sujou
Vem que a água vai lavar o que me dói
Vem que nem o último a cair vai perder...

Tudo o que é meu é tudo o que eu não sei largar

Queres levar tudo o que é meu e tudo o que eu não sei largar...
Vem rasgar o escuro desta chuva que sujou
Vem que a água vai lavar o que me dói
Vem que nem o último a cair vai perder...
Não... Não vai perder... Não vai perder! "

Tiago Bettencourt